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Caderno B

ARTISTAS COBRAM CACHÊS E AMEAÇAM ACAMPAR NA SECULT

Protesto está marcado para quarta-feira (5), às 9h, na Praça dos Martírios, em Maceió

Por MAYLSON HONORATO | Edição do dia 04/08/2020

Matéria atualizada em 04/08/2020 às 00h28

Em abril, protesto questionou caráter emergencial do Dendi Casa Tem Cultura
Em abril, protesto questionou caráter emergencial do Dendi Casa Tem Cultura - Foto: Reprodução/TV Gazeta
 

Artistas de Alagoas convocaram um ato para cobrar do Governo do Estado celeridade no pagamento dos cachês do festival "Dendi Casa Tem Cultura". A manifestação está marcada para esta quarta-feira (5), às 9h, na Praça dos Martírios. De acordo com a organização, um acampamento será montado no local e permanecerá até que todos os artistas sejam pagos. A divulgação da manifestação começou no último fim de semana, nas redes sociais. De acordo com o diretor de teatro Carlos Alberto, a iniciativa não parte de nenhum movimento específico, mas de um grupo de artistas indignados. "Todos os indivíduos estão à frente do ato, não é algo articulado por movimentos políticos ou culturais. É coletivo, é por todos os artistas. E não estamos cobrando auxílio. A gente quer auxílio também. Mas estamos cobrando cachês de trabalhos que foram executados. Alguns há mais de 45 dias", diz. Carlos Alberto integra o movimento Frente de Artistas e Técnicos de Alagoas, que expressou insatisfação em relação ao edital antes mesmo de o certame ser lançado. "Nós vamos continuar lutando. Se é pra fazer um edital desse é melhor cancelar isso, comprar cestas básicas e distribuir para os artistas. Seria muito mais justo", disse o diretor de teatro em abril, quando já questionava o caráter emergencial do edital, lançado como uma ação governamental para amenizar a crise que enfrenta o setor artístico, em decorrência da pandemia do novo coronavírus. De acordo com a Secult, o edital preconiza 30 dias após a apresentação para a realização dos pagamentos. O órgão acrescentou que o sistema de pagamentos do Estado abre nos dias 14, 21 e 28 de cada mês, mas que uma solução excepcional está sendo dialogada com a Secretaria de Estado da Fazenda de Alagoas (Sefaz-AL). Segundo Carlos, o movimento chamado "Quem tem fome tem pressa" pede apoio popular para garantir alimentos para os artistas que permanecerão acampados no local. A principal demanda do grupo é pelo pagamento de todos os artistas que participaram de lives no festival. A primeira apresentação do Dendi Casa Tem Cultura ocorreu no dia 6 de junho. "Queremos mais respeito, mais transparência. Conhecemos bem o edital, que fala de 30 dias. Ainda temos a mesma percepção sobre o edital, que ele não é emergencial. Quem tem fome tem pressa. Dendi casa tem cultura, mas não tem comida?", questiona Carlos. "A gente vai montar o acampamento na frente dos Martírios e só vamos sair quando os pagamentos forem feitos. A princípio, a gente só sai da porta da Secult quando todos os artistas receberem seus cachês. E se a gente conseguir, vamos acampar lá dentro. Pelo menos lá deve ter comida", finalizou. Por meio de nota, a Secult reforçou o caráter emergencial do projeto e salientou que busca alternativas legais para solucionar a demanda dos artistas. A secretaria também informou que está dialogando com movimentos representativos. "O edital, no item 15.8, dispõe 30 dias após a apresentação para a realização do pagamento, uma vez que a documentação e certidões estejam todas em conformidade. Contudo, salientamos que o sistema para os pagamentos do Estado abre nos dias 14, 21 e 28 de cada mês, datas estas sujeitas à alterações pela Secretaria de Estado da Fazenda. Mais uma vez reforçamos o caráter emergencial, visto que estes processos costumam levar no mínimo três meses para serem efetivados, e conseguimos, junto à Procuradoria Geral do Estado, a autorização para realizar em 30 dias", diz trecho da nota enviada à reportagem.

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