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TRABALHADORES COBRAM MELHOR ESTRUTURA PARA VOLTA ÀS AULAS

Segundo Sinteal, em muitas escolas públicas as salas de aula não têm janelas nem ventilação

Por regina carvalho | Edição do dia 24/07/2021

Matéria atualizada em 23/07/2021 às 21h28

Foto: ©Ailton Cruz
Foto: ©Ailton Cruz | Ailton Cruz ;Ailton Cruz

Um dos pontos mais complexos quando se fala de retorno às atividades que ocorriam antes da pandemia de Covid-19, no caso as aulas presenciais, serão retomadas em Alagoas no próximo mês. Ainda com o registro de novos casos e mortes todos os dias, a volta vai exigir rígidos protocolos sanitários.

Na rede estadual, a previsão de retorno é para o dia 16 de agosto – no formato híbrido – rodízio semanal com metade dos alunos de forma presencial e o restante em atividade remota.

“O Sinteal avalia o retorno das aulas presenciais neste momento ainda com grandes preocupações. Nós sabemos que, quando voltarem, possivelmente os profissionais terão tomado a segunda dose, mas sabemos as dificuldades estruturais das escolas”, declara Maria Consuelo Correia, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal).

A sindicalista lembra a falta de estrutura de parte das escolas públicas e o quanto isso pode comprometer a segurança durante a pandemia. “Nós temos, principalmente na capital, escolas que não têm janelas, não têm ventilação. Saiu uma pesquisa que 50% das escolas da rede pública dos municípios e estados não têm ventilação alguma. Isso já traz um grande e grave problema no que diz o protocolo sanitário”, avalia.

Protocolo sanitário e testagem periódica

Maria Consuelo explica que a entidade não é contrária ao retorno presencial, porém em condições seguras. “Com ventilação, lavabos, tapetes sanitizantes, EPIs, profissionais para higienizar os ambientes. Então precisa de tudo isso para o retorno seguro”, diz.

A reportagem pergunta a presidente do Sinteal qual medida deve ser adotada pelos governos estadual e municipais em relação ao retorno das aulas. “Devem ser adotadas medidas de segurança não só para os trabalhadores da educação, como também para as crianças e os jovens que serão transportados no transporte escolar. Isso precisa ter muita segurança, com redução do quantitativo de estudantes, porque já andam superlotados e ver como fica também o retorno desses profissionais que andam no transporte coletivo urbano, isso nos traz grandes preocupações”, acrescenta Maria Consuelo. O Sinteal cobra testagem periódica para a Covid-19 dos trabalhadores da educação e contratação de funcionários, já que a alimentação deve ser servida nas salas de aula para não ter aglomeração no refeitório. “Isso significa contratar mais profissionais. Nós estaremos vigilantes com relação à estrutura das escolas, a organização do ambiente, da estrutura e também a organização pedagógica porque se será híbrido tem que se avaliar, o profissional vai preparar dois ou três tipos de aulas. E as jornadas desses profissionais como ficará? Precisamos entender e acompanhar isso direitinho, enquanto sindicato, enquanto representantes dos trabalhadores”, reforça a presidente do Sinteal. A reportagem pergunta à presidente do Sinteal quantos casos e mortes por Covid-19 foram confirmados na educação de Alagoas. “Muitos foram infectados e poderia ser maior se as escolas não tivessem fechado. Isso fez com que tenha reduzido um pouco o número de infectados e mortos. Perdemos a conta de quantos morreram. Não sabemos precisamente quantos, mas acredito que foram mais de 60. Não temos esses dados reais”, finaliza Maria Consuelo.

Rede municipal está se preparando, diz Semed

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que segue alinhando com as coordenações pedagógicas e comunidade escolar a data para o retorno às aulas, que será publicado mediante portaria, mas ainda sem data definida. “A Secretaria reforça que a rede está se preparando para garantir total segurança aos alunos e comunidade escolar, seguindo os protocolos sanitários necessários. A rede municipal acredita que terá bastante adesão por parte dos estudantes e de suas famílias devido ao tempo que estão sem as aulas presenciais”, informa a Semed.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc), na rede estadual, a previsão de retorno das aulas é o dia 16 de agosto no formato híbrido (com rodízio semanal de alunos entre 50% da turma presencial e 50% em atividade remota, totalizando 100% híbrido). Sobre as medidas a serem adotadas para evitar infecção pelo novo coronavírus, a Seduc detalhou que as escolas da rede estadual terão o Protocolo de Retorno às Atividades Escolares (PRAEP), que já foi distribuído junto às escolas e traz orientações sobre segurança sanitária, nutricional e alimentar, delimitação de espaços e o quantitativo de pessoas permitido em um espaço fechado. “Cada unidade de ensino também vai elaborar um plano de retorno que constam de três etapas: preparação da equipe, reestruturação da nova rotina no ambiente escolar e monitoramento de todos os espaços”.

Casos suspeitos e confirmados nas escolas

A reportagem pergunta como será o acompanhamento da pasta, caso algum aluno ou professor apresentar sintomas ou for confirmado com a Covid. “Se, no ato da aferição de temperatura, for detectado febre (acima de 37,6 graus), devem ser realizados os seguintes procedimentos: no caso de alunos, se vier acompanhado de pai ou responsável, deve retornar imediatamente para casa e a família ser orientada a procurar uma unidade de saúde”, informa a Seduc.

Caso esteja só ou no transporte escolar, a direção da escola deve conduzir o estudante para uma sala, preencher ficha de acompanhamento e entrar em contato com o pai ou responsável para o aluno voltar para casa. Em relação aos servidores, caso apresente febre ou outros sintomas gripais, o mesmo deve ser afastado das atividades laborais e orientado a procurar a unidade básica de saúde para procedimentos médicos. “Caso o profissional de saúde confirme a necessidade de afastamento do trabalho, o servidor deve enviar atestado médico por meio eletrônico à unidade de ensino”, afirma. Segundo a Seduc, enquanto as atividades presenciais não recomeçam, as escolas promovem a escuta com os pais de alunos para saber se os mesmos desejam que seus filhos retornem às aulas no formato híbrido ou se preferem que permaneçam no sistema remoto.

foto: ©Ailton Cruz
Maceió, 08 de Janeiro de 2013
Escola Nossa Senhora do Bom Conselho em Reforma a mais de um ano, se preparando para o inicio de matriculas.
Foto: Ailton Cruz

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