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Pandemia

CLÍNICAS PRIVADAS NÃO DEVEM OFERECER VACINA CONTRA COVID

Venda do imunizante na rede particular de saúde já é realidade em algumas capitais do Brasil

Por MAYLSON HONORATO | Edição do dia 02/07/2022

Matéria atualizada em 01/07/2022 às 20h01

Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, clínicas privadas já oferecem a vacina AstraZeneca ao público
Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, clínicas privadas já oferecem a vacina AstraZeneca ao público | @Ailton Cruz

Apesar de as clínicas particulares já estarem autorizadas a comercializar as vacinas contra a Covid-19 licenciadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabelecimentos em Maceió sinalizam que ainda não devem oferecer essa opção aos clientes, pelo menos enquanto a campanha de vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) continuar. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, clínicas privadas de imunização já oferecem, desde o começo de junho, a vacina AstraZeneca ao público - a mesma oferecida gratuitamente pela rede pública por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A diferença é que a da rede privada é importada diretamente do fabricante. Para as clínicas da capital alagoana, não faz sentido ofertar a vacina neste momento, o que não está descartado no futuro. “Acredito que devemos respeitar os processos pelos quais estamos atravessando no que se refere à vacinação da população e à pandemia de Covid-19. O nosso incentivo é para que o público busque a imunização pelo SUS”, disse, por meio de nota, um dos estabelecimentos consultados pela reportagem. A Clinvacin também indicou que não há disponibilidade da vacina “E também não há uma previsão”, mesmo após a campanha de vacinação do SUS. A Clinimuni, também consultada pela reportagem, informou que não há perspectiva para que a rede passe a oferecer o imunizante. Por meio de uma nota, uma outra clínica de Maceió indicou que não há interesse público em ofertar as vacinas contra a Covid na rede privada. “A imunização é uma responsabilidade coletiva com a qual nós compactuamos. Todos e todas deveriam se vacinar, como uma maneira de prevenir novos surtos de Covid-19 e outras doenças. Oferecer, neste momento, o imunizante na rede privada, não põe fim ao problema de adesão pelo qual passamos, quando os cidadãos estão ignorando que deveriam tomar a quarta dose do imunizante. Desejamos que a vacinação prossiga gratuitamente, até que, assim como diversos imunizantes dos quais dispomos, as vacinas contra a Covid-19 representem a prevenção de mais uma doença e não de uma pandemia que já afetou tão tragicamente milhões de famílias ao redor do mundo”, diz trecho da resposta de uma das clínicas. Para Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a chegada das vacinas à rede privada traz vantagens à cobertura vacinal. “É uma opção para quem não quer ir a uma unidade pública, ou para alguém, por exemplo, que tenha um problema de mobilidade e prefira ser atendido em casa. De qualquer forma, contribui para o aumento da cobertura vacinal, que se encontra estagnado”, afirma.

LIBERAÇÃO

18 meses após a chegada da vacinação no Brasil, a quantidade de imunizantes em território nacional já é suficiente para atender a população, de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações. A nova realidade abriu espaço para que as doses chegassem ao sistema privado e incrementassem a oferta de imunizantes. O encerramento da “Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional pela Covid-19” pelo Ministério da Saúde impactou leis e normas estabelecidas para o enfrentamento da pandemia, permitindo que as vacinas licenciadas pudessem ser oferecidas a clínicas e até farmácias. A liberação, no entanto, não significa que qualquer pessoa que deseje reforçar a imunidade pode se dirigir à rede privada, em outros estados ou quando as vacinas chegarem em Alagoas. “Devemos respeitar as indicações do MS [Ministério da Saúde] sobre os grupos que precisam receber novas doses, porque a indicação deve ser sempre pautada em dados. Esses dados são embasados em necessidade epidemiológica, levando em consideração quem está em risco e o custo-benefício da vacinação. Uma pessoa pode fazer imunização desnecessária a vida inteira, mas algumas vacinas podem ser contraindicadas a um grupo ou a outro”, diz Flávia Bravo. Atualmente, as recomendações são de dose de reforço para adolescentes 12 a 17 anos, preferencialmente com a vacina da Pfizer, até a terceira dose para pessoas com mais de 18 anos e quarta dose para imunodeprimidos e adultos acima de 40 anos - com a previsão de ampliação da faixa etária para 30 anos ou mais em breve, de acordo com o Ministério da Saúde. A legislação brasileira prevê que a aplicação de qualquer vacina que não esteja contemplada no PNI (Programa Nacional de Imunização) ou PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19) - ou seja, que não sigam o indicado acima - requer prescrição médica. “Não podemos inventar indicações que não são pautadas no MS e nem em licenciamento de bula. Se a clínica privada ainda assim resolver aceitar uma receita médica de uma pessoa que não tem o perfil indicado, o responsável técnico do lugar é corresponsável por algo que possa vir a acontecer com aquele indivíduo. O papel da clínica não é só aplicar, mas sim participar da farmacovigilância, registrar e acompanhar efeitos adversos, assim como saber como conduzir o paciente”, aponta Bravo.

PREÇO NO MERCADO

Segundo a ABCVAC (Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas), os imunizantes saem da fábrica custando R$ 151, valor definido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). Cada clínica, no entanto, compõe seu preço de acordo com o serviço de aplicação.

“Estimamos que custe entre R$ 300 e 350 reais para o consumidor final, devido a custos com logística, armazenamento, seguro e aplicação”, diz a nota destinada à imprensa.

Em São Paulo, é possível encontrar ofertas a partir de R$ 229.

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