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Consumo

INFLAÇÃO FAZ CONSUMIDOR ALAGOANO DEIXAR DE COMER CARNE

Pesquisa realizada pela FSB, encomendada pelo banco BTG Pactual, aponta que 55% dos brasileiros deixaram de comprar carne vermelha

Por Hebert Borges | Edição do dia 02/07/2022

Matéria atualizada em 01/07/2022 às 19h54

Consumidor alagoano está substituindo a carne por itens como linguiça, ovos e embutidos
Consumidor alagoano está substituindo a carne por itens como linguiça, ovos e embutidos | @Ailton Cruz

Linguiça, ovos, mortadela, os embutidos estão cada dia mais presentes na mesa do alagoano e, na maioria dos casos, por necessidade, e não por serem preferidos. Essa é uma das consequência da inflação alta e que afeta até o paladar. Pesquisa realizada pela FSB, encomendada pelo banco BTG Pactual, aponta, por exemplo, que 55% dos brasileiros deixaram de comprar carne vermelha. A carne de boi, seja para o churrasco, do cozido ou até mesmo moída, sumiu da mesa de muitos alagoanos, e o motivo: eles não podem mais pagar por elas. Francisco de Oliveira tem 54 anos e vende carne em uma banca de feira no Jacintinho, em Maceió. Ele conta que o perfil de compra dos clientes mudou muito nos últimos anos e tem se acentuado cada dia mais. “Numa sexta-feira você vendia tudo com folga até o começo da tarde. Vendia muito corte nobre, como contra filé e picanha, hoje esse cortes não saem com facilidade,e quando sai as pessoas compram bem pouco, é como se fosse pra lembrar como é o gosto”, avalia. O comerciante explica que agora o item que mais sai no dia a dia é osso para sopa. “Se vier umas três horas da tarde já não tem mais”, conta. Em compensação ele diz que tem dia que não consegue vender 5 quilos de picanha. “É assim, quem comprava contra filé ou picanha para fazer bife, hoje compra coxão mole, quem comprava coxão mole compra carne moída, e quem comprava carne moída não compra mais carne”, exemplifica. Alisson Firmino, tem 36 anos e é motorista por aplicativo, ele também faz bicos como encanador e pedreiro e diz que, realmente, não consegue comprar mais carne. “Está pelos olhos da cara. Já cheguei a ver 1kg de carne custando quase R$ 60, um corte comum. Parei de comer a carne porque ia pesar no orçamento de casa, porque juntando a energia que também está cara, o salário não dá para nada”, elenca. “Antes, a gente ia no mercado e comprava carne, frango, frios, fazia uma feira para o mês todo com menos de R$ 700 reais. Hoje, o meu salário inteiro, que chega a R$ 2 mil, fica quase pela metade no supermercado. É difícil ver isso e ter que mudar os hábitos e a nossa vida por causa disso. Não dá para entender”, desabafa.

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