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Opinião

DUPLA TRAGÉDIA

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Por EDITORAL | Edição do dia 06/04/2021

Matéria atualizada em 05/04/2021 às 22h24

Levantamento feito pelo instituto Vox Populi, a pedido da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança alimentar, mostra que, com a pandemia do novo coronavírus, aumentou o número de brasileiros que conhecem a fome. No final do ano passado, 116,8 milhões de pessoas conviviam com algum grau de insegurança alimentar. Desses, 43,4 milhões não tinham alimentos em quantidade suficiente e 19,1 milhões de pessoas conviviam com insegurança grave, isto é, fome.

Os dados indicam uma deterioração da segurança alimentar devido à pandemia, mas há indícios de que esse processo já estava em andamento. De acordo com o IBGE, a proporção de domicílios com segurança alimentar atingiu seu maior patamar em 2013 (77,1%). Em 2018, esse percentual caiu 13,8 pontos percentuais, para 63,3%. No fim de 2020, com a pandemia, despencou mais 18,5 pontos, para 44,8%. Enquanto isso, a insegurança alimentar aumentou no mesmo período. A quantidade de domicílios com insegurança alimentar grave, ou seja, fome, estava em 4,2% em 2013. Passou para 5,8% em 2018 e, com a pandemia, atinge 9% no final de 2020. Já a insegurança alimentar leve foi a que mais aumentou. Passou de 12,6% em 2013 para 34,7% no fim de 2020. Para analistas, essa mudança foi resultado das crises econômica e política dos últimos anos, combinada com a pandemia. Desde 2015 que as conquistas sociais obtidas na década anterior, quando o País saiu do mapa da fome, começaram a se deteriorar. Hoje, o Brasil vive hoje duas tragédias: a pandemia do novo coronavírus, que já deixou mais de 300 mil mortos em todo o País e não parece dar sinais de trégua, e a tragédia da fome. Isso vai afetar não só as pessoas que estão sofrendo agora, mas as gerações futuras. Os mesmos analistas consideram urgente promover ações voltadas para a segurança alimentar dos brasileiros. É preciso auxiliar os grupos que se encontram mais vulneráveis, com auxílios emergenciais, mas ambém a adoção de políticas estruturais que visem à redução das desigualdades sociais.

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