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OPINIÃO

Avós e netos

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Por MILTON HÊNIO - médico e membro do Conselho Estratégico da Organização Arnon de Mello | Edição do dia 24/07/2021

Matéria atualizada em 23/07/2021 às 18h09

É uma convivência feliz essa, entre avós e netos. Segunda, feira, dia 26 de julho, é o Dia dos Avós.

Durante esses 58 anos que exerci a medicina com muito amor, sempre admirei cada vez mais o papel espetacular que os avós desempenham na vida dos netos; é uma mistura de carinho, dedicação, desprendimento e doação.

A relação entre avós e netos representa talvez um dos pontos de maior felicidade na vida de toda criança. E a afeição que une esse grupo é tão grande que não há necessidade de compêndios de psicologia, nem tratados explicando “como conviver com os netos”. A coisa funciona de um modo muito simples, muito natural, sem complicações nem preocupações. Talvez seja por essa razão que muito pouco tem sido escrito sobre o assunto. Não há traumas na convivência de ambos. Apenas, de quando em vez surge alguma mãe ciumenta achando que a sogra ou a própria mãe estão tentando conseguir “privilégios” perante às crianças. O fato é que a garotada sente o contentamento do vovô ou da vovó, em dar passeios com eles, contar histórias, comprar confeitos, enfim, prestigiá-los a todo momento.

Quando a criança mora com os pais e os avós na mesma casa, às vezes, como é natural, há conflitos. Os avós se interpõem com o maior carinho na educação da criança, recobrindo-a de mimos, de cuidados, não deixando que os pais a censurem, recriminando-os constantemente porque estão forçando a criança a comer, tomar gelo, ir ao sereno, etc. Diz uma jovem mamãe: “Minha sogra mora comigo e está botando minha filhinha de 3 anos a perder. A garota só ouve a ela, só faz o que ela quer, não sei o que fazer”.

Uma criança de 3 anos é sensível ao amor dos avós, e corresponde a esse amor plenamente. O fato de às vezes quando a avó reside na casa da nora, querer influir na criança, isso não prejudica absolutamente na educação do netinho, porque, na verdade, os filhos imitam os pais, e são os exemplos destes que irão influenciar suas vidas e não os dos avós. O fato de a criança dizer que gosta mais do vovô ou da vovó e preferir ás vezes, sair mais com eles, reflete apenas uma retribuição por gestos de amor.

Portanto, um lembrete às mães: deixem seus filhos amar á vontade os avós. Esse amor não é competitivo como o seu, fiquem certas disso. O velho e o novo parecem fluir juntos, sem conflitos. Toda criança gosta da companhia dos avós. Companhia lembra companheiro, aquele que vai ao nosso lado pelos caminhos da vida. Como é magnífico para a criança essa ideia de amizade! Como é importante para uma criança ser cativada! A alegria dessa amizade deve, portanto, ser conservada e estimulada. Confesso, sinto pena de quem nunca teve um avô ou uma avó.

Avô é símbolo de querer bem. Avó nem se fala. Meu colega vovô, dê a mão a seu netinho ou a sua netinha e vá passear feliz. Boa sorte! Obrigada, Senhor, porque tenho netos e bisnetos maravilhosos e que representam a alegria do meu envelhecer.

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