Maceió,
Nº 5733
.

A IMPORTÂNCIA DA IMPRENSA .

.

Por Marcos Davi Melo - médico e membro da AAL e do IHGAL | Edição do dia 11/06/2024

Matéria atualizada em 11/06/2024 às 04h00

Como escreveu Rui Barbosa em sua obra “A imprensa e o dever”, “a imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe interessa e se acautela do que a ameaça”.

Em uma semana na qual acontecimentos relevantes ligados à imprensa nos reavivaram a sua importância, ressaltamos a Europa na celebração dos 80 anos do Dia D, quando a imprensa livre teve uma função essencial na informação e na mobilização da sociedade contra o nazifascismo. Infelizmente, com o retorno da guerra, um alerta do frágil arranjo de segurança do continente. Aqui, se lançou o livro “A imprensa alagoana no ocaso do império”, de autoria do vice-reitor do Cesmac, professor Douglas Apratto, com orelha de Alexandre Lino e prefácio de Joaldo Cavalcante.

Nessa obra, “um tesouro perdido” redescoberto e assim denominado pelo economista e escritor Cícero Péricles e ferramenta de mestrado do autor na UFPE há 50 anos, são transcritos em ortografia de época inúmeros jornais que circularam de 1878 a 1889, que extrapolavam Maceió e irradiavam-se para todo o estado: Penedo, Pilar, Pão de Açúcar, Traipu, Maragogi, São Luís do Quitunde, uma comprovação da pujança da imprensa caeté. Existiam jornais conservadores, liberais e republicanos, que criticavam a monarquia e exaltavam os valores da almejada república. Muitos eram militantemente abolicionistas.

Destaca-se o engajamento daqueles periódicos à literatura, à ciência, ao humor e à sátira, deixando-nos a impressão de que nossos ancestrais eram muito mais bem-humorados... Um realce para a “ Revista Alagoana” de 1886, hebdomadário autenticamente feminista. Dirigido por mulheres, seus trabalhos eram todos de autoria feminina: literatura, pensamentos, seção de moda etc. Defendia a igualdade dos sexos e divulgava notícias sobre a atuação das mulheres nas carreiras liberais, citando exemplos de outros países. Postulava a educação do povo como fator de desenvolvimento social e econômico.

A obra, além de seu valor histórico, é oportuna, pois robustece a tradição de participação social dos diversos ramos da nossa sociedade através de periódicos impressos onde o contraditório estava sempre presente. A imprensa, que hoje se mantém heroicamente em seu formato impresso, construtivamente persiste como bastião da informação nas suas formas radiofônicas e televisivas, onde a Organização Arnon de Mello pontifica historicamente.

Em uma época na qual a desinformação promove o medo e o ódio, e as ameaças à democracia se propagam veiculadas pelas redes sociais, usando mentiras a granel, como afirmou a ministra Cármen Lúcia em sua posse na presidência do TSE, a imprensa livre e profissional é cada vez mais importante e indispensável como salvaguarda da civilidade e do Estado de Direito democrático. A obra “A imprensa alagoana no ocaso do império” configura um apelo ancestral para mantermos esse venerável legado.

Mais matérias desta edição