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Política

CONSELHO DE SAÚDE INVESTIGA ESTRUTURA DE NOVOS HOSPITAIS

Servidores denunciam falta de pessoal, contratos provisórios e concurso que prevê contratação só de um terço da necessidade

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 24/07/2021

Matéria atualizada em 23/07/2021 às 20h32

Hospital da Mulher é uma das novas unidades de saúde construídas e que preocupa pessoal
Hospital da Mulher é uma das novas unidades de saúde construídas e que preocupa pessoal | : Divulgação

Depois de gastar R$ 200 milhões do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) na construção de cinco hospitais para melhorar o atendimento à população e desafogar o Hospital Geral do Estado (HGE), alguns problemas continuam. Na propaganda tudo funciona. No real, as unidades têm problemas estruturais e o HGE permanece superlotado. Os profissionais cobram concurso com três vezes mais vagas do que as 1.200 vagas anunciadas pelo governador Renan Filho (MDB). Se queixam que os aprovados receberão salário inferior ao salário base hoje e reclamam de estruturas deficientes em unidades novas. O Conselho Estadual de Saúde investiga as denúncias. Médicos e enfermeiros criticam também a atual precarização em contratos trabalhistas e da funcionalidade nos novos hospitais. A situação levou o Conselho Estadual de Saúde a promover visitas técnicas que resultarão em relatórios com cópia para Ministério Público e a depender da gravidade haverá recomendação de auditorias nas unidades. Ninguém contesta a necessidade dos novos hospitais regionais: dois na capital, um em Porto Calvo, outro em União dos Palmares e o de Delmiro Gouveia. Critica-se a falta de estratégia com os novos equipamentos. As contratações de servidores, por exemplo, ainda ocorrem via exames de currículo, indicações por amizade, por necessidades de cada unidade. Entre os profissionais, tem contratos precários ou por dia de trabalho. A situação já é de conhecimento dos Sindicatos dos Médicos e das categorias dos Trabalhadores da Saúde, do Ministério Público do Trabalho e da Justiça Trabalhista. Os profissionais cobram concurso público para suprir as necessidades mínimas, respeito aos pisos salariais das categorias, estratégia de funcionamento para desafogar o HGE e outras medidas para que as unidades não se transformem em projetos obsoletos. No início do mês, o governador Renan Filho anunciou, em live, concursos para as Polícias Civil, Militar, Corpo de Bombeiros, Educação, Fazenda e Saúde. Ao avaliar os salários dos enfermeiros de R$ 2.850,00 e técnico de enfermagem R$ 1.100,00, por exemplo, o deputado Davi Maia (DEM) considerou muito baixo. “Apresentamos na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei de piso salarial para o profissional da enfermagem. Os baixos salários não vão suprir a demanda”, afirmou o parlamentar que acusa o governo de usar essa máquina para trabalhar politicamente. Segundo o parlamentar, “o secretário de Saúde [Alexandre Ayres] é pré-candidato a deputado estadual”. Maia cobra transparência na contratação dos servidores. Deputados governistas temeriam repercussões negativas e fazem cobranças. O vice-presidente da Assembleia Legislativa, Galba Novaes (MDB), por exemplo, quer informações sobre o custo de manutenção dos novos hospitais. Outros deputados estariam preocupados com o desgaste da bancada para o projeto de 2022. A maioria é candidata à reeleição e se elegeu prometendo melhoria na saúde pública.

MÉDICOS

A maioria dos cinco mil médicos diz não entender a estratégia do governo e da Secretária Estadual da Saúde de promover concurso público com a oferta de apenas 1.200 vagas para os profissionais da saúde, sendo que apenas 300 são de médicos para cinco hospitais. O Sindicato dos Médicos considera que só para a categoria são necessárias 1.200 vagas “para atender os hospitais da Mulher, Metropolitano, o Regional da Mata, do Litoral Norte, de Delmiro Gouveia, do Agreste. Supriria necessidades do HGE, Hospitais de Doenças Tropicais e outras unidades por conta das aposentadorias”. O presidente da entidade, médico Marcos Holanda, confirmou que as unidades novas funcionam com serviços prestados. Uma queixa neste sentido já está inclusive na Procuradoria Regional do Trabalho. “Alguns médicos têm contratos simplórios para trabalhar em escalas. Alguns são arregimentados sem contrato”. A secretaria de estado da Saúde e o governo estadual anunciaram o concurso da Saúde para setembro.

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