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Política

DEPUTADOS QUEREM QUE NOVOS HOSPITAIS RESOLVAM CAOS NO HGE

Parlamentares na ALE veem falta de funcionalidade e provável subutilização das novas unidades

Por thiago gomes | Edição do dia 29/09/2021

Matéria atualizada em 28/09/2021 às 19h52

Deputados registraram em fotos o caos encontrado dentro do HGE no último sábado, quando fizeram visita surpresa
Deputados registraram em fotos o caos encontrado dentro do HGE no último sábado, quando fizeram visita surpresa | : Divulgação

A falta de funcionalidade e a provável subutilização dos novos hospitais, abertos pelo governo do Estado, têm contribuído diretamente para manutenção do triste ‘cenário de guerra’ no Hospital Geral do Estado (HGE). Esta é a avaliação dos parlamentares alagoanos que dizem conhecer de perto a realidade daquela unidade de saúde. Eles repercutiram, nesta terça-feira (28), na sessão ordinária na Assembleia Legislativa (ALE), a fiscalização feita na última sexta, atestando problemas antigos, e apresentaram possíveis soluções.

A visita surpresa ao HGE foi feita pelos deputados Davi Maia (DEM), Dudu Ronalsa (PSDB) e Cabo Bebeto (PTC). Lá, o trio viu pacientes nos corredores amontoados em macas e no chão, além de falta de estrutura nas salas e nos banheiros, representando risco à integridade física dos doentes e dos próprios servidores. Os parlamentares conversaram com os pacientes e com os acompanhantes enquanto observavam a rotina do plantão de atendimento. Entraram em diversas alas e registraram tudo por meio de fotos e vídeos, boa parte publicada nas redes sociais. 

O assunto gerou um amplo debate em plenário. Vários deputados se pronunciaram e acusaram a acusaram a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de negligência ao hospital público de Maceió que é referência nos procedimentos de urgência e emergência em Alagoas. Eles cobraram da pasta o remanejamento dos atendimentos às unidades hospitalares recém-inauguradas no Estado. O intuito, segundo pensam os parlamentares, é desafogar o movimento caótico no HGE.

Para o Cabo Bebeto, os hospitais entregues à população ao longo da pandemia estão sendo subutilizados. “Estas obras só foram feitas para embelezar a saúde, mas, na prática, não têm servido ao alagoano. O que percebemos é falta de estrutura em todos eles, o que acaba sobrecarregando o Hospital Geral do Estado, que tem pacientes nos corredores e no chão, acompanhantes sentados em cadeiras quebradas, banheiros sujos, além de encanação e fiação exposta”, relata.

Ele cobrou dos órgãos de controle uma fiscalização imediata nas dependências do HGE por acreditar que a estrutura física da unidade está comprometida e representa risco aos servidores e pacientes. “Se o Corpo de Bombeiros e a Vigilância Sanitária fossem lá, na mesma medida que vão às empresas privadas, certamente colocavam um lacre de interdição”, avalia. O parlamentar sugeriu aos colegas uma fiscalização mensal no hospital para acompanhar as providências que estão sendo tomadas.

Em aparte ao discurso de Bebeto, o deputado Davi Maia comparou o atendimento feito no HGE a um verdadeiro cenário de guerra, que macula a saúde pública de Alagoas há anos sem que nenhuma medida permanente de solução fosse tomada. Ele acusou o governo de mentir e de fabricar propagandas falsas na mídia para enganar a população de que a área é uma das que mais avançou.

“Temos hospitais de fachada e o povo de Alagoas continua morrendo, sendo tratado do mesmo jeito. Nada mudou na saúde do alagoano. Fizemos uma análise e observamos que os hospitais em nada tem servido aos pacientes. As pessoas chegam até eles, mas são devolvidas ao HGE”, destacou o parlamentar, elogiando o trabalho dos servidores da unidade, taxados por ele como verdadeiros heróis em meio ao caos.

Já Dudu Ronalsa criticou o governador e o secretário Alexandre Ayres por abandonarem o HGE e deixarem as novas unidades obsoletas. "A situação do HGE é tão grave que necessita de uma intervenção urgente. A Secretaria de Estado da Saúde precisa deslocar os pacientes para outros hospitais e realizar uma grande reforma. Do jeito que está não tem como o hospital seguir funcionando. O pior de tudo é que a Sesau não toma nenhuma providência e deixa os pacientes à míngua".

Ainda contribuindo com a discussão, os deputados Francisco Tenório (PMN) e Antônio Albuquerque (PTB) repercutiram os problemas antigos do HGE. O primeiro chamou o espaço de ‘monstrengo físico’ e o colega lamentou que esta discussão aconteça ao calor das conveniências políticas, deixando de lado o interesse público.

Como de costume, Silvio Camelo (PV) e Ronaldo Medeiros (MDB) saíram em defesa do governo e transferiram a responsabilidade da desordem mantida no HGE aos municípios, a quem acusam de estruturar a atenção básica nas cidades. 

A Sesau emitiu um pronunciamento sobre a funcionalidade de todas as suas unidades. Confira nota na integra:

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, nasceu da junção entre o Hospital Escola Dr. José Carneiro (HEJC) e a Unidade de Emergência Dr. Armando Lages (UE). O HGE faz parte da Rede de Urgência e Emergência (RUE), como porta de entrada para casos clínicos e de trauma, adulto e pediátrico, referência no Estado.

Apresenta como linhas de cuidado prioritárias: o trauma, o tratamento de queimados, a terapia intensiva, o tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Por ser a junção de dois edifícios antigos, o HGE já nasceu com muitos problemas estruturais. Porém, a complexidade dos serviços de saúde oferecidos no hospital torna qualquer intervenção em sua estrutura física, um grande desafio.

São quase 3 mil colaboradores, 500 pacientes internados, em média, além dos acompanhantes, mais de 300 atendimentos diários na porta de entrada, funcionado 24 horas por dia, sete dias por semana.

Conta com profissionais especializados: médicos radiologistas, cirurgiões vasculares, geral, ortopedistas, cardiologistas, neurologia clínica e cirúrgica, clínicos, endoscopistas, plásticos, pediatras, neuropediatras, nefrologia adulto e infantil, fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição, odontologia hospitalar, enfermagem, psicologia, serviço social, técnicos de radiologia e de enfermagem.

Para se ter uma ideia da importância do HGE, em agosto de 2021, a unidade realizou 2.160 internamentos em leitos clínicos e 72 internamentos em leitos de UTI Geral. Realizou 594 cirurgias de emergência nas especialidades de neurologia, vascular, cirurgia de tórax, bucomaxilofacial, pediátricas, plásticas, cirurgias do aparelho digestivo, geral e traumato-ortopédicas de primeiro tempo.

Novos Investimentos – Há poucos dias, o HGE recebeu mais nove leitos de UTI. Eles haviam sido implantados para atender pacientes acometidos pela Covid-19, e passaram a fazer parte definitivamente da estrutura do hospital, ampliando o número de leitos de UTI Geral.

Atualmente o HGE está passando por reforma em sua estrutura física, iniciada na área de Nutrição e Dietética. O Centro de Diagnóstico por Imagem está sendo ampliado e receberá novos equipamentos, quando passará a contar com um segundo Tomógrafo e equipamento de raios-x.

Com a reforma, a Unidade de Dor Torácica (UDT) passará a contar com 20 leitos e uma grande Unidade de Cardiologia Clínica. Além disso, será contemplada a Ala Azul, que não mais contará com leitos macas, e sim, leitos camas.

Ampliação da Rede de Saúde – A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) segue realizando investimentos para ampliar a capacidade da rede de atendimento pré-hospitalar e hospitalar, fazendo com que outras portas de urgência também possam atender à população.

São cinco novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) já entregues em Maceió, e mais duas em construção. Cada UPA tem capacidade de atender mais de 300 pacientes por dia. Com sete UPAs em funcionamento, praticamente todos os Distritos Sanitários de Maceió terão uma referência em pronto atendimento de urgência, além de outros municípios da região metropolitana, diminuindo o fluxo de pacientes para o HGE.

Ainda na capital, o Governo do Estado entregou o Hospital da Mulher (HM), que atualmente atende a pacientes acometidos pela Covid-19, e o Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA), com 170 novos leitos operacionais, sendo 30 de UTI, e que atende agora a pacientes de Neurologia, Cardiologia, Ortopedia, Cirurgia Geral, Clínica Geral e possui uma Unidade de AVC.

No interior, três novos Hospitais Regionais já foram entregues, fortalecendo a Rede de Urgência e Emergência. Quando os Hospitais Regionais do Norte (HRN) e do Alto Sertão (HRAS), que foram entregues de forma antecipada em razão da pandemia, tiverem com sua capacidade máxima de operação, serão quase 400 novos leitos, sendo 90 só de UTI, nos três hospitais regionais.

Para fortalecer ainda mais a Rede de Urgência, a Sesau está construindo uma UPA em Arapiraca e está financiando a manutenção de mais 30 novos leitos de UTI Geral, sendo 10 em São Miguel dos Campos e 10 em Penedo, esses já em funcionamento, e 10 em Arapiraca, em fase de implantação.

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